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April 15 Divagações sobre a felicidade (Maria das Graças P.G.) Uma frase chamou-me a atenção:"A ignorância é o segredo da felicidade". Para mim uma definição por demais simplista. Como sempre gosto de divagar sobre a existência e alguns questionamentos saiem da minha cabeça pensante. Desejar a felicidade é uma forma de afirmar valores. Quando se pensa em um homem feliz,o que está em questão,é mais a concepção do homem que de felicidade. Sabemos da grande dificuldade da filosofia desde os tempos antigos em conciliar a universalidade do homem com os seus desejos individuais,pressupondo que a felicidade seja a satisfação dos desejos. A felicidade é histórica,varia conforme os tempos (mudanças na sociedade ). Agrega novos anseios, inspira novas realizações. O que fazia a felicidade da civilização grega não satisfaz a moderna. Os períodos históricos se diferenciam em sua visão ética do que era o bem e do que valia a pena viver. E é a moral que faz com que o homem cumpra os desígnios, que o norteiam para conviver com o outro. Só quem ama pode ser feliz. Existem várias formas de amar. Há os que amam a si, há os que amam outros, os que amam o amor. Também os que tem uma visão de amor focada na humanidade (espécie). Ser feliz é um projeto complexo, que tem como base o auto -conhecimento para sermos mais humildes e dependentes(não ser uma ilha).O outro é o nosso limite, nossa possibilidade e, nossa possibilidade de ultrapassamento. A felicidade pode ser questionada em várias formas como o homem contemporâneo enquadra sua existência . Para muitos a felicidade está ligada aos sonhos de posse(fatores externos,dinheiro, sucesso, fama, poder) e também a realização pessoal... O mundo passou a afirmar -se no materialismo. O humanismo e a religião balançaram. As vezes pessoas constroem sua felicidade acumulando riquezas as custas de uma economia injusta com o sacrifício de muitos. Paga -se o preço do isolamento humano-essa vertente sempre se tem como fundamento ético: a felicidade é uma forma de articular meios e fins. A felicidade do ambicioso é uma felicidade solitária ou de poucos. Historicamente o homem as vezes escolhe a ética para ser feliz fundamentada no amor e nas utopias que envolvem o outro ou o bem da coletividade e outras vezes escolhe a ética do individualismo egoista, sendo feliz as custas da infelicidade alheia . Essas questões por mais singelas estão impregnadas de filosofia. Não tem sentido o pensamento filosófico sobre a felicidade que não pensa o mundo, a vida. O filósofo Nietzsche pensou a felicidade. Ou melhor investigou o por que os homens procuram ser felizes. E o que encontrou não é digno de admiração. Psicólogo de moral refinada e de grande intuição, Nietzsche fundiu essas qualidades no método que chamou genealógico. Entender e compreender a origem e o sentido que movem o homem. Mais que uma pergunta de forma simplificada. Nietzsche descobriu que homens fortes seguem seus desejos e os realizam; e os homens fracos que ao não se realizarem seus desejos colocam no lugar uma forma de repressão. Ou seja o homem fraco é dotado de poderosa força para "não fazer", para reprimir,anular as paixões. Nietzsche com sua genealogia,desvenda na história Ocidental a primazia da ética dos fracos, que ele chama de moral dos escravos,e localiza nas grandes filosofias e religiões (Platonismo e cristianismo) os símbolos da vitória do ressentimento. A saída para ele estava na completa reviravolta dos valores . É possível encontrar traços genealogistas em Marx (transformação da sociedade) e em Freud (das profundezas da mente humana). Foram mestres da desconfiança. O que parece unificar todos os caminhos é a aposta no projeto coletivo. Sem o outro (humanidade) não existe felicidade. Sem política não há ética possível. Só o amor(amplo) e quem ama pode ser feliz. A conclusão é que é preciso de um difícil processo de reconstrução da ética para garantir de novo o sonho da felicidade.O que parece unificar todos os caminhos de todas vertentes filosóficas apontam para um caminho coletivo.Sem o outro (especie) nada de felicidade. Só quem ama pode ser feliz. Não pensemos de forma individual e egoista, que nascemos e morremos,tão pouco que seremos pó mas sim em nossas futuras gerações (espécie) que vivam em um mundo melhor. Assim teremos menos preocupação com a nossa simples existência e estaremos preservando nossa espécie humana. O sonho não acabou...Vale a pena sonhar ...é o que nos faz feliz. E a ignorância nunca será o segredo da felicidade pelo contrário, só a sabedoria e o conhecimento tem o segredo mágico da felicidade. Comments (2)
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